A Batalha do Pedregal nasceu em Junho de 2019 com o compromisso de integrar a cultura do RAP na realidade da favela do Pedregal. Desde o primeiro momento assumimos o compromisso de ter uma batalha que retratasse a realidade da comunidade, o que não seria possível sem o Passinho do Bregafunk, ou passinho dos maloka como ficou popular em Pernambuco.

O passinho agrega principalmente as crianças da comunidade, elas criam suas duplas, fazem seus grupos e treinam vendo pela internet os movimentos mais difíceis da dança. Embora as letras do bregafunk sejam polêmicas por aludir a sexualidade e temas sensíveis, a história tem sido reescrita nesse sentido. Artistas como Schevechenko, um dos ícones Pernambucanos do ritmo, recentemente lançou uma musica só para crianças. A letra liberdade de expressão tem ensinamentos e incentivos, como diz o Mc: “Passinho sim, drogas não Isso é o brega funk liberdade de expressão Pra todos estudantes só peço um favor Dentro da sala de aula respeita o professor Mochila da copa, boné da prefeitura vou mandando passinho”. Essa abordagem representa a compreensão de que na comunidade as crianças tendem a reinventar o sentido como forma de dançar e se divertir se utilizando do que já toca na comunidade para construirem seus próprios entretenimentos. Na favela do Pedregal, desde que começou a batalha do passinho, as escolas, pais, professores entenderam que é um jeito muito eficiente de entreter a garotada e também incentivar que estudem e busquem outras referencias artísticas. Compreender a cultura da favela como uma potência de transformação social é também o resultado da inclusividade artística.